Gestação de alto risco significa que elas possuem ou desenvolvem condições que as tiram do basal (tecnicamente falando, do risco habitual).
As mais comuns são diabetes gestacional e síndromes hipertensivas, mas podemos considerar portadoras de qualquer quadro que precise de maior vigilância e cuidados.
Eu atendo, em sua maioria, gestantes de alto risco, que sempre chegam muito preocupadas em meu consultório.
O mais curioso é que, ano passado, eu tive uma taxa menor do que 6% de cesarianas por mim realizadas.
Ou seja: Alto risco não indica cesariana e tampouco versa sobre o quão difícil será determinado nascimento.
O acompanhamento e a classificação do risco não são características preditivas ou não de parto ou definidores exatos de conduta no parto, à exceção da frequente indicação de indução em diversos casos.
A assistência necessária a esse tipo de situação começa bem antes, na consulta pré-concepcional, definindo e reduzindo possíveis fatores de risco.
E no seguimento pré-natal, que, quanto mais bem feito for, com mais tranquilidade (e menos risco) se chega ao final da gestação (e não me refiro à quantidade de exames e ultrassonografias!).
É justamente essa tranquilidade construída em parceria entre profissionais multidisciplinares da assistência, gestante e sua família, que vai ser a base de um parto mais seguro, com mais confiança e paz.
Alto risco não sentencia cirurgia, ao mesmo tempo em que risco habitual não garante nascimento rápido e fácil ou exclui necessidade de cesariana em um último momento, embora de fato mais raramente. São trajetórias únicas e individuais, de cada família, de cada bebê. Que todas elas tenham o acompanhamento adequado e necessário, portanto. 🙏