Quando engravidar de novo após um aborto espontâneo?

Quando engravidar de novo após um aborto espontâneo?

Sofrer um aborto espontâneo não é experiência fácil. Não importa se a gestação era planejada ou não: a promessa do que estava por vir, os sonhos desfeitos, a surpresa seguida de decepção, a dor física necessária… tudo isso marca profundamente quem passa por uma perda gestacional de 1º trimestre.

E, infelizmente, fato é que cerca de 15-25% de todas as gestações serão interrompidas espontaneamente no início da gestação, sem que haja o que se possa fazer para evitar, prevenir ou antever. É muito comum e, mais que isso, faz parte da nossa fisiologia e é uma maneira da natureza dar cabo de gestações que seriam incompatíveis com a vida, normalmente por problemas genéticos ou de implantação.

E como essa fisiologia funciona de maneira muito inteligente, a gravidez após uma perda pode acontecer quando a mulher se sentir genuinamente bem para isso.

Não há evidências que sustentem esperar X meses para diminuir riscos para a próxima gravidez – abortos de repetição são bem mais raros de acontecer e não ocorrem porque a mulher engravidou muito perto ou muito distante da gestação anterior. E, se esse for o caso, cabe avaliação com profissional especialista em infertilidade. Tampouco é necessário que se espere por algum tipo de recuperação física, já que, se os ciclos retomaram, é porque já se é capaz de gestar novamente, com exceção de anemias profundas por hemorragia durante a perda ou diagnóstico de condições clínicas que precisem ser tratadas e compensadas antes. Não há aumento na incidência de novos abortos, partos prematuros ou qualquer tipo de risco para uma nova gravidez, independente do tempo que se passou.

A maior restrição seria para casos em que houve necessidade de esvaziamento uterino pós abortamento (AMIU ou curetagem): recomendam-se 2-3 meses para novas tentativas, já que houve manipulação da cavidade uterina.

Também faço ressalva para os casos em que as mulheres se viram profundamente abaladas depois da perda, beirando o patológico. Nesses casos, é mandatório o acompanhamento psicológico e um olhar atento para si mesma: você está mesmo preparada para uma nova gravidez? Saúde mental também importa. ❤️

Por @biaherief

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